domingo, 18 de outubro de 2009

IMPERATIVOS

agora, venha
com os pés no mundo
prestes a viver
desperte...

agora, siga
passo a passo
sua própria vontade
obedeça...

agora, entre
porta a porta
dentre mil amantes
escolha...

agora, pratique
vício a vício
sem hesitação
experimente...

agora, gaste
todo o troco
sem comiseração
esgote-se...

agora, use
dia após dia
o vigor do corpo
envelheça...

agora, pule
do mais alto abismo
em seguida
arrependa-se...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

HOMENAJE A MERCEDES SOSA

Meu mundo musical está ficando cada vez mais esvaziado de ídolos.
Isso é o que dá ser admirador de gente que está chegando, ou até passando, da terceira idade.
Esta magnífica artista fez parte da minha infância-adolescência “gracias” aos LP’s que meus pais tinham em casa.
Foram eles que tiveram a iniciativa de me levar a um show dela no extinto Hotel Nacional, em São Conrado lá pelos idos de 1982.
Foi neste show que eu, com apenas 14 anos de idade, descobri que precisava usar óculos.
Ficamos numa fila muito afastada do palco e então percebi que alguma coisa não estava muito bem. A imagem estava um pouco sem definição.
Peguei os óculos do meu pai e pronto... ficou tudo nítido!
Combinamos que a cada música um de nós usaria os óculos e foi assim por todo o show.
Essas lembranças me acompanham até hoje (assim como os óculos) e a voz de Mercedes Sosa é, por todos esses motivos, parte essencial da minha memória afetiva.

Duerme Negrita...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

UM ALTAR DE COISAS PARA ADORAR

Existe um “ditadozinho” infame que diz que “para se ter uma vida balanceada você precisa de um cão para te adorar e um gato para te ignorar”. Nada mais injusto com nossos bichanos, pois na verdade, os gatos foram feitos para serem adorados. Em minha opinião é um animal muito mais nobre e não precisa bajular ninguém. Consegue divertir sem ser patético. É carinhoso sem te babar. Tem múltiplas utilidades caseiras e ainda serve de ornamento. É por isso que fiz no meu armário um pequeno altar de coisas para adorar: meu CD do Pat Metheny, minha foto com minha irmã, meu cofrinho cheio de moedas e .... MEU GATO.

sábado, 19 de setembro de 2009

UMA HISTÓRIA DE AMOR



Descansava eu em um plácido jardim
Quando um brado despertou-me a atenção.
Queixava-se tu, bem perto de mim,
Que, retumbante, tombou ao chão.

Levantei-me de imediato para socorrer
Quando deparei com teu fúlgido olhar.
Fiquei mudo ao te fazer erguer
Jurei a mim mesmo o penhor de te amar.

Debaixo de um céu vívido prosseguimos
Permaneci impávido ante meu sentimento.
Com poucas palavras nos conhecemos
Teu corpo, um colosso, seguia ao vento.

Minha amada! Tu fulguras e me cegas
Serás o florão de meu jardim.
Meu peito em flor te carrega
Pois és mais garrida que o jasmim.

Ao declarar-me ergui o lábaro do amor
Em teus lábios depositei minha intenção.
Ao corresponder-me com igual fervor
Tu ergueste a flâmula da paixão.

Após longo tempo te conduzi ao altar
Meu sonho enfim se realizava.
Tu és minha, agora, irás ficar
Para sempre sob o domínio da minha clava!



Para aqueles que não entenderam as palavras difíceis utilizadas neste poema, aí vai um glossário com o significado de cada uma:

Plácido - em que há sossego, serenidade, tranqüilidade
Brado - voz forte e enérgica de forma a ser ouvida longe ou com temor; grito
Retumbante - que provoca grande som, grande ressonância
Fúlgido - que fulge, que possui brilho, luminosidade; brilhante, resplandecente
Penhor - ato ou palavra que assegura o cumprimento de um compromisso, obrigação, promessa etc.; garantia, segurança, prova
Vívido - que tem muita luz, que clareia; cintilante, brilhante, fulgurante
Impávido - que não tem ou não demonstra medo; que não se deixa abalar pelo temor; corajoso, destemido, intrépido
Colosso - estátua de proporções gigantescas; qualquer objeto ou coisa descomunal
Fulguras – 2ª pessoa do presente do verbo Fulgurar
Fulgurar – relampejar, relampear; emitir ou refletir luz, brilho intenso; luzir, brilhar, resplandecer
Florão - ornamento que imita e reproduz flores; bem ou qualidade de grande valor; preciosidade
Garrida – fem. de garrido; que tem elegância, graça; que tem muitos adornos, enfeites
Lábaro - bandeira, estandarte, pendão
Flâmula - peça, geralmente de pano e de formato quadrangular, usado como símbolo; bandeira, pendão
Clava - arma que consiste num pedaço de pau grosso, mais volumoso numa das extremidades, e que se usava para ataque e defesa.

Fonte: Dicionário eletrônico Houaiss