terça-feira, 15 de novembro de 2016

Tricot


Nasce o menino
Mãe tricotando
Agulhas dançam
Forma e cor
Olhos brilham
Ao sorriso do menino

Cresce o menino
Novas vestes
A mãe tece
Cada estação
Uma padronagem
Aquece o menino

Cria asas o menino
A mãe cede
Cala a lágrima
Despe a alma
Veste de esperança
O destino do menino

A vez da farda
tecelagem industrializada
padrão número de série
estatística
cores iguais
marcha em tempo firme
cortejo
tropa apresentar armas 
manejo eficiência obediência

Morre o menino
Mãe tricotando
Agulhas dançam
Forma e cor
Jaz na lama
O tricot do menino.

domingo, 28 de junho de 2015

MINHA HISTÓRIA DE AMOR COM O YES

Escolher um grupo ou artista preferido depende de vários fatores. Pode ser por fase,  uma análise mais racional ou simplesmente paixão inexplicável, como um clube de futebol. Meu maior ídolo na música internacional é o Peter Gabriel pela concepção de seus trabalhos. O King Crimson, dos grupos ainda em atividade, é o que acho mais arrojado e desafiador. Porém o YES é paixão pura, e antiga...  Principalmente por seu vocalista, o eterno sonhador Jon Anderson, seu baixista, o incansável lutador Chris Squire e o intelectual da guitarra Steve Howe. Todos os outros músicos são talentos que deixaram e ainda deixam sua marca positiva no grupo.
Minha paixão pelo YES se perde na bruma do tempo. A referência mais antiga que tenho é um show do Rick Wakeman que fui assistir no Maracanãzinho em 1981, aos 13 anos. Já havia discos do YES lá em casa, trazidos pelo meu irmão mais velho, que seguiu uma trajetória interessante. No fim dos anos 70 sua onda era a Disco Music, os hits dos Bee Gees e os passos do John Travolta. Havia muitas músicas com batidas eletrônicas, teclados sequenciados e vozes robóticas. Começaram a vir os discos do Kraftwerk e o interessse pelos teclados eletrônicos aumentou. Veio, então, o Jean-Michel Jarre e por fim a disco music deu lugar ao som espacial do Vangelis. Daí para o Rick Wakeman e o YES foi um pulo.
Fiquei vidrado e em pouco tempo tínhamos todos os LP’s do grupo que eu ouvia numa vitrolinha portátil que acoplava as caixas e ficava em forma de mala! Isso foi numa época em que o grupo tinha deixado de existir, o biênio 81-82. Me lembro de haver chorado uma vez ao ouvir o “Yesshows” pensando: “Que pena que este grupo acabou”.
Em 1983 quando as FM’s soaram os primeiros acordes de “Owner of a lonely heart” fiquei num misto de felicidade e decepção com a volta do grupo. Fiquei, então, só acompanhando de longe sua trajetória até que em 1996 a paixão antiga resolveu voltar a mexer comigo. Eles haviam retornado à formação clássica tocando antigos clássicos e músicas inéditas que nada deviam às dos anos 70. Voltei a amá-los com a mesma deslumbrada paixão adolescente.
Hoje sou um fã maduro e em paz com todas as diferenças. Gosto de todas as fases, todas as formações, todos os discos e quase todas as músicas. Já estiveram no Brasil várias vezes e tive a felicidade de estar presente em duas. Com o falecimento de seu baixista e força motriz não sei quanto tempo o grupo permanecerá na estrada. Só sei que pretendo curtir esta paixão até o limite, até que a aposentadoria nos separe.
Site: http://www.yesworld.com/

domingo, 18 de maio de 2014

Fez-se buquê

Foto: André Mann

Se as tradições morrem...
Se o contato se rompe...
Se a distância não é mais saudade...
Se sonoras palavras já não bastam...
Fez-se paisagem que não passa na janela.
Fez-se canção que não encontra seus ouvintes.
Fez-se joia que não serve de adorno.
Fez-se buquê que não é atirado à futura noiva.

(Ricardo Mann)

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

História Adscrita

Foto: André Mann


Ao rever páginas
que ainda estão abertas,
prontas para serem reviradas,
vejo que é bom
o resultado de tudo,
do que já foi dito,
do foi deitado ao papel,
do que se desenhou pela tela do computador...

Tantas fotos tiradas,
tantas memórias guardadas,
tudo que se celebrou à distância.
Vejo que é bom
o resultado de tudo,
do flerte insistente,
da perene conquista,
do que se consolidou em nossos corações.

Páginas reviradas
que nunca serão passado.
São tesouros
enriquecidos diariamente.
Pois é bom
que uma linda história
seja eternamente adscrita.

(Ricardo Mann)

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Sinais de fumaça

Minha doce amada
Único amor que conheci
Olhe para cima e perceba
todas as mensagens que lhe deixo
Veja que minhas palavras estão salpicadas contra o céu azul
Tanto que quero lhe dizer
te fazer saber da minha devoção
Recorro para tanto
a delicados sinais de fumaça
Tudo por ti...
Tudo pois você não atende o celular!!!!

(Ricardo Mann)

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Uma palavra!!


Num momento
e apenas nesse momento
pelo menos por enquanto
quero dizer, numa palavra,
o que acrescenta à minha vida
ouvir heavy metal.

Eu, que já sou um senhor de 44 anos

com os dois punhos em riste 
brado com toda convicção:
"Felicidade"!!!



domingo, 30 de setembro de 2012

Folha em branco















Se há silêncio...
Se há uma folha em branco...
Se há uma tela sem pintura...
Devemos preenchê-los
Invadi-los com um pouco de nós.

Pois o vazio
É como um rosto sem sorriso,
É como um céu sem estrelas,
É como sentimentos
Que nunca mereceram ser expressos.

Ricardo Mann

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Síncrono

Foto: Peter Mann

A lua pertence tão somente a nós
Egoisticamente nos aprumamos a ela
Sincronicamente nos sintonizamos
Transmitimos olhares simultâneos
Decodificando a maravilhosa freqüência
Do amor realizado.

(Ricardo Mann)

terça-feira, 26 de junho de 2012

GATO AO SOL

Foto: André Mann

Uma vírgula,
Um desejo.
Quero estar no lugar
e hora certos
para que a paz me alcance

Quero uma pílula
para domar os males
e deles fazer antídoto
Quero o fogo na barriga
durante a criação

Quero um manto de calor
ficar enroscadinho
em meu cesto
Quero mãos de afago
para o bem do mundo

Quero uma certeza
que se desfaça
ante a verdade
Quero a tranqüilidade
de um gato ao sol

e serve  a rigidez de um tijolo
a praticidade da matemática
serve a  precisão do pêndulo
o  polo positivo  do imantado

Quero ficar trancado
num recipiente só meu
manter meus hábitos
esquivo
vontade-própria
uma vírgula,

Me parece que tudo embaralhado
e versos jogados para o alto
o que cair e não quebrar
é pura sorte, então
é poesia.

(Ricardo Mann)

domingo, 6 de maio de 2012

Mulher, me ensine a ser macho.



Mulher, me ensine a ser macho.
Me ensine a ser prático,
a conduzir a vida sem frescuras.
Me ensine a falar palavrão,
a não usar tanto o diminutivo.
Me ensine a comer pimenta,
a gostar de fígado.
Me ensine a tomar bebidas amargas,
a ficar mais resistente ao porre.
Me ensine a torcer no futebol,
a ser Rubro-Negro!
Me ensine a ser autêntico,
a mandar meu chefe prá aquele lugar.
Me ensine a ser pai,
A ser o “homem da casa”.
Me ensine a ser sem preconceitos,
a ainda ser verdadeiramente macho.
Me ensine a amar...
a amar uma mulher como ti!

(Ricardo Mann)

domingo, 8 de abril de 2012

A lua por nós dois


Meu amor, acorde!
Abra seus lindos olhos
sou eu, a sua menina
venha ver a noite ao meu lado
admire a lua que brilha por nós dois
sinta a brisa noturna em seu corpo
tal como meus dedos que deslizam em sua pele
meus lábios murmuram em seu ouvido
todas as juras de amor
destinadas somente a você
abra seus braços, aperte meu corpo
sinta o quanto preciso de você
pertenço a você
meu único e verdadeiro amor.

(Michele Michel)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Ela é!


Há um ano descobri que existe uma mulher de verdade. Ela é real, ela é mulher, ela é mãe, ela é guerreira! Ela é sensacional, ela dá risada, ela me faz rir, ela faz meus amigos rirem. Ela fuma, ela tenta parar, ela bebe cerveja, ela fala palavrão. Ela gosta de futebol, ela é Mengoooo! Ela come carne. Ela é linda, ela se veste como quer, ela tem uns quilinhos a menos. Ela é inteligente, ela não crê em Deus, ela sonha o que é possível! Ela é desastrada, ela dá topada, ela topa tudo em qualquer lugar. Ela é companheira, ela me apóia, ela me bate quando mereço! Ela é autêntica, ela faz o que gosta, nem ouso revelar tudo que ela é. Ela não quer ser perfeita... Ela é perfeita para mim!
Ela é o sonho realizado para um homem que só deseja ser feliz!

(Ricardo Mann)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Meu caminho de rochas intransponíveis


Meu caminho de rochas intransponíveis
Que escureciam os meus dias
Traziam o frio e o desamor

Você me trouxe luz
Transformando as rochas em pedras
Segurando minhas mãos
Ergueu-me em seus braços
Mesmo descalça as pedras não impediram meu caminho

Aos poucos
Nos abaixamos sorrindo
Admirando cada uma delas
Que de tão pequenas
As jogamos no mar

(Michele Michel)

sábado, 17 de dezembro de 2011

NINGUÉM ME VÊ


Quando ninguém me vê
sou bem mais d’eu mesmo
fica menor a vergonha
fica menos o juízo
cresce de tamanho a liberdade
invado, sem cerimônia, meus limites.

Quando ninguém me vê
fica mais alto o rock n’roll
vira guitarra a vassoura
fica mais limpo o chão
o batuque nas panelas
faz mais saborosa a refeição.

Quando ninguém me vê
sou asqueroso
vai o dedo ao nariz
deposito o produto
onde ninguém vê
ainda bem que ninguém me vê.

Quando ninguém me vê
fico invisível qual átomo
indivisível parte do universo
ficam maiores tempo e espaço
viajo anos-luz pra dentro de mim
da casa viro comandante Kirk.

Quando ninguém me vê
vira agito o tédio
vira muvuca a solidão
viro multi-homem
faço tudo ao mesmo tempo
depois invento um nada pra fazer.

Ninguém me vê, ainda bem
não quero testemunhas
do horrendo crime
de tentar transformar
todo o desatino em felicidade
quando ninguém me vê.

(Ricardo Mann)

sábado, 10 de setembro de 2011

A teus pés


Há em teus pés peculiaridades tantas.
Quisera eu, despojado, desnudar a todas.
Pequenas intimidades que estão permitidas.
São por mim plenamente ensejadas.

São vestidos a contento para cada ocasião.
Calçados tão somente ornamentam a perfeição
Tua dona os exibe à sua própria satisfação.
Representam o Céu para quem está ao chão.

Por sobre o desejo de quem os venera caminhas.
Pés deslizam solenes enquanto distraída passeias.
Conduzem a estatura voluptuosa de tuas pernas.
Submetem ao fascínio tantas vidas alheias.

De tantas facetas essa mulher se compõe.
Surpreendentemente ávida em tanta mansidão.
São inumeráveis mulheres em conversão.
Resultando apenas uma em permanente erupção.

(Ricardo Mann)


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

MULHER CIUMENTA


Sabes que sou mulher ciumenta
mas por hoje deixo-te nos braços dela

sei que neste exato momento
ela te aquece e recebe todas as tuas juras de amor

sei que você se enrosca por inteiro
com aquele lindo sorriso nos lábios

deixo claro também
meu óbvio mau humor

porque eu adoraria desfrutar neste momento
o aconchego da nossa cama!

(Michele Michel)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Se esparramando na paisagem





Sem comedimento
ela se esparrama
se insere totalmente
no que é compreendido pelo olhar

Não tem dúvidas
que pode interferir
e lançar mão e braços
na paisagem que lhe pertence

Ela derrama seu sorriso
entorna seus cabelos
extrapola o enquadramento
da amplitude fotográfica

Ela quer fazer parte
da cidade, do mar
do céu, do verde
e da vida de seu habitante.

(Ricardo Mann)



segunda-feira, 27 de junho de 2011

Enganamos o tempo


Enganamos o tempo,
logrando tempo,
na ausência do tempo.
Retardamos seu passar,
espremendo e sorvendo
cada segundo que estamos juntos.

Ele se dissolve e dilui
em nossos pensamentos.
Não é mais uma medida
de períodos passados.
É transpassado irresistente,
feito um detalhe...

Porém o tempo, vingativo,
nos pune cruelmente,
tornando os dias
insuportavelmente longos.
Suas frações se multiplicam
nos tornando escravos do relógio.

Sofremos pela metade ausente
nesse espaço entre encontros.
O som da voz amada ameniza
a dor do tempo apartado.
Voz que alimenta nosso dia,
almejando sua presença.

Temos a certeza de que
o tempo não importa,
por um simples motivo...
O que sentimos não pode ser aprazado.
Somos o que nos permitimos ser...
Eternamente apaixonados!

(Michele Michel e Ricardo Mann)

terça-feira, 17 de maio de 2011

manhã chuvosa


manhã chuvosa
como em outra qualquer
ele liga seu carro
que desliza prudente
pelas ruas alagadas
planos para o dia
mais um dia,
mais uma rua,
uma esquina,
outra esquina,
última esquina...
ele é parado
obedece, desce
um estouro, o carro foge
ele cai
sente o chão molhado com o rosto
a respiração é rápida e difícil
a chuva aumenta
ele tenta se erguer
a água que escorre pelo seu corpo é vermelha
não sente dor, apenas frio
suas pernas não obedecem mais
novamente seu leito é o chão
ele ouve gritos e passos apressados
sente seu corpo ser erguido
alguém pergunta seu nome
ele responde
mãos seguram seu corpo
ele é colocado em um carro
a parada é brusca
mais mãos...
novos rostos então em sua volta
sente quando é colocado em um leito rígido
suas roupas são cortadas
abre novamente os olhos, cobertos por uma névoa branca
a luz incomoda
ela segura sua mão
com um sorriso treinado diz mecanicamente que ficará tudo bem
ele ouve siglas
PAF, TC, CTI
e uma pergunta:
qual é o plano?
ele tenta se levantar, não sabe mais onde está
o frio aumenta
o coração acelera
a respiração para
mais siglas
PCR, TOT, PVP, PAM
novamente a pergunta:
qual o plano?
a pressão cai
bolsas de sangue inundam suas veias
o tempo passa
sua pele agora tem um tom azulado
seu abdome cresce
baço, intestinos, pâncreas?
ela observa o monitor
não há mais tempo
seu leito agora desliza pelos corredores
ele não resiste
o coração para
ela sobe em seu peito
com as mãos firmes e ritmadas
tentam devolver a vida
drogas são injetadas em suas veias
ele reage
volta a bater
uma lâmina rasga seu ventre
pedaços e fragmentos soltam do seu corpo
abraços, beijos, planos
idas e vindas...
lágrimas e sorrisos
toda uma vida...
o monitor alarma novamente...
ela fecha seus olhos...
acabou!

(Michele Michel)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Passeando teu sono


Quase de imediato
Você fecha teus olhos
Boca entreaberta
Mão no queixo

É minha hora de,
Totalmente desperto,
Observar teu rosto
Acompanhar a respiração

Sem me mover
Vou passeando teu sono
Me acostumando à presença
Da felicidade ao meu lado.

(Ricardo Mann)